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Reco do Remédio

TG, Lipoless, Gluconex e tirzepatida do Paraguai: o que a Anvisa diz

Resposta rápida

Produtos vendidos como "TG" ou "T.G. 15", "Lipoless", "Gluconex" e outras canetas de tirzepatida fora das farmácias não têm registro na Anvisa. A agência publicou resoluções no Diário Oficial que mandam apreender esses produtos e proíbem a venda, a importação, a propaganda e o uso. Na lista oficial de preços da CMED, a tirzepatida aparece só como Mounjaro, vendido em farmácia com receita retida.

Atualizado em 04/11/2026. Fontes oficiais no fim da página. Informação sobre preços e direitos do consumidor; não é orientação médica.

O que a Anvisa proibiu, ato por ato

Tirzepatida irregular (TG, Lipoless): atos da Anvisa por data

Data no DOUAtoProdutos citadosO que fica proibido
Até 20/11/2025RE 4.030, RE 3.676 e RE 4.641, citadas pela Anvisa em 20/11/2025T.G. 5; Lipoless; Lipoless Eticos; Tirzazep Royal Pharmaceuticals; T.G. IndufarFabricação, distribuição, importação, comercialização, propaganda e uso
21/01/2026Resolução-RE nº 214/2026Tirzepatida das marcas Synedica e TG; retatrutida de todas as marcasApreensão; comercialização, distribuição, fabricação, importação, divulgação e uso
23/02/2026Resolução-RE nº 690/2026Lipoless MD 15 mg e Lipoless 15 mg, 12,5 mg e 10 mg; T.G 15 mg e 10 mg; Lipoland 15 mg; Tirzec 15 mg; Retatrutide 40 mgApreensão
14/04/2026Resolução-RE nº 1.519/2026Gluconex e TirzedralApreensão; comercialização, distribuição, importação e uso
02/06/2026Resolução-RE nº 2.238/2026Rapha (Tirzepatide/Pyroxidine, inclusive 60 mg/6 mg/3 ml); Tirzepatide Thera; Tirzemax; tirzepatida manipulada de forma padronizadaApreensão; armazenamento, distribuição, venda, fabricação, importação e divulgação; suspensão da manipulação
16/09/2026Resolução-RE nº 3.626/2026Caneta T36Importação, armazenamento, distribuição, comercialização, propaganda e uso

Fonte: Anvisa, Resoluções-RE e notícias citadas abaixo (2025–2026). Conferido em 04/11/2026.

O motivo que se repete nas resoluções é o mesmo: produto "sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa, fabricado por empresa desconhecida", em desacordo com a Lei nº 6.360/1976. As medidas valem para "quaisquer pessoas físicas/jurídicas ou veículos de comunicação que comercializem ou divulguem os produtos".

Sem registro, a Anvisa não avaliou a qualidade, a eficácia e a segurança desses produtos no Brasil.

"Tirzepatida do Paraguai" e testes de laboratório

Circulou a informação de que testes teriam provado que canetas trazidas do Paraguai seriam equivalentes às registradas no Brasil. Em checagem de 06/07/2026, a Anvisa classificou essa informação como falsa:

  • os testes feitos verificaram só a presença, a concentração e a estrutura da tirzepatida nos frascos;
  • não foram analisados impurezas, contaminantes, degradação do produto, esterilidade nem metais pesados;
  • não foi avaliada a biodisponibilidade, ou seja, como o produto age no corpo, que é o dado que mostra se um remédio funciona igual a outro;
  • as fábricas desses produtos não foram avaliadas pela Anvisa quanto às Boas Práticas de Fabricação.

A Anvisa também lembra que nenhum medicamento pode ser vendido no Brasil com bula ou orientações em língua estrangeira, por risco de erro de uso, e que falsificação ou adulteração de produtos regulados por outros países "fogem à governabilidade brasileira".

Trazer para uso pessoal é permitido?

Para estes produtos, não. A regra geral, segundo a Anvisa, é que medicamento sem registro no Brasil só pode ser importado de forma excepcional, para uso exclusivamente pessoal, com prescrição médica e outros requisitos. Mas "nos casos em que a Anvisa publica proibição específica, a importação, por qualquer modalidade, também fica suspensa". É o caso dos produtos da tabela acima, inclusive quando a pessoa traz na bagagem.

Tirzepatida manipulada

A manipulação não é proibida em si, mas tem regras rígidas. O que a Anvisa determinou:

  1. Insumo (IFA): pelo Despacho nº 97/2025, a importação para manipulação de agonistas do GLP-1 de origem sintética é permitida desde que exista produto registrado na Anvisa com a mesma molécula. Os de origem biotecnológica só podem vir de fabricantes cujo insumo foi analisado no registro. Importadoras e farmácias têm de fazer os testes mínimos de qualidade definidos pela Anvisa.
  2. Receita individual: a preparação magistral é feita para um paciente, a partir de prescrição individual. A Anvisa suspendeu a produção de tirzepatida de uma empresa por vender "produto manipulado padronizado e não individualizado, sem a devida prescrição" (RE 2.238/2026). Produto anunciado com nome fantasia ou código também não segue a definição de preparação magistral.
  3. Farmácia autorizada: em outra fiscalização, a Anvisa interditou a produção de tirzepatida de uma empresa que não tinha autorização para manipular agonista do receptor de GLP-1. Sem os testes de qualidade, diz a agência, "não é possível descartar a possibilidade de contaminação biológica", com risco de reações graves.

A Anvisa informou que, de janeiro a abril de 2026, interditou 8 dos 26 estabelecimentos inspecionados e apreendeu mais de 1,3 milhão de unidades de injetáveis irregulares.

Os riscos, nas palavras da Anvisa

  • Produto comprado fora de farmácias e drogarias "não tem qualquer garantia de procedência, composição ou conservação".
  • Manipulação em condições inadequadas traz "riscos de contaminação e perda de efeito".
  • Produtos irregulares de origem desconhecida "não devem ser usados em nenhuma hipótese".
  • Há falsificação também de marca registrada: em 20/02/2026 a Anvisa mandou apreender um lote falso de Mounjaro com rótulo de impressão borrada.
  • A Anvisa registrou quase 3 mil notificações de eventos adversos com agonistas do GLP-1 entre 2018 e 2026, quase metade em 2025, com desfechos graves, inclusive óbitos. A própria agência ressalva que não há confirmação direta de causa.
  • O comércio de medicamentos irregulares é crime pelo Código Penal, e sites em geral não podem vender medicamentos: a venda é privativa de farmácias e drogarias regularizadas, em lojas físicas ou canais digitais oficiais.

Como conferir se um remédio tem registro

  1. Entre em Consultas, Medicamentos, no site da Anvisa (consultas.anvisa.gov.br).
  2. Pesquise pelo nome do produto ou pelo número de registro impresso na caixa.
  3. Se o produto não aparece com registro válido, ele não pode ser vendido no Brasil.
  4. Um "site oficial" de um produto sem registro não torna o produto legal.

Encontrou um dos produtos proibidos à venda? A Anvisa orienta procurar os Canais de Atendimento da agência ou a Vigilância Sanitária local.

Na lista de preços da CMED de 09/10/2026, a tirzepatida aparece só como Mounjaro, em seringas e frascos de 0,5 ml e na versão Multidose (carpule de 2,4 ml), com preço máximo ao consumidor publicado. A Anvisa informa que os agonistas de GLP-1 são vendidos com prescrição médica e retenção de receita. Quem decide se o tratamento é indicado, e com qual dose, é o médico.

Ferramenta

Preço do Mounjaro por dose (farmácias e PMC CMED)

A caixa mais barata vai de R$ 1.720,77 (2,5 mg, Drogal) a R$ 3.811,36 (15 mg, Drogal).

DoseMenor preço da caixa (R$)PMC em SP (R$)
Mounjaro 2,5 mgR$ 1.720,77DrogalR$ 3.854,43
Mounjaro 5 mgR$ 2.123,49DrogalR$ 3.854,43
Mounjaro 7,5 mgR$ 2.707,77DrogalR$ 3.854,43
Mounjaro 10 mgR$ 3.157,44DrogalR$ 3.854,43
Mounjaro 12,5 mgR$ 3.718,72DrogalR$ 3.854,43
Mounjaro 15 mgR$ 3.811,36DrogalR$ 3.854,43

Fonte: CMED/ANVISA, lista de outubro de 2026; preços de farmácias conferidos em 05/11/2026.

Informação sobre regulação sanitária, com base em atos oficiais da Anvisa consultados em 04/11/2026. Não é orientação médica. Novas resoluções podem ter sido publicadas depois desta data: confira no portal da Anvisa e no Diário Oficial da União.

Perguntas frequentes

TG tirzepatida é original?
Não tem registro na Anvisa. As marcas T.G. 5, T.G. Indufar, TG e T.G 15 mg e 10 mg foram alvo de resoluções que mandam apreender e proíbem venda, importação e uso (RE 4.030 e RE 4.641, citadas pela Anvisa em 20/11/2025, RE 214/2026 e RE 690/2026).
Existe "site oficial" do TG?
Nenhum site pode vender TG legalmente no Brasil, porque o produto não tem registro e está proibido. Venda de medicamento é só em farmácias e drogarias regularizadas.
Lipoless e Gluconex são liberados pela Anvisa?
Não. Lipoless está nas resoluções RE 3.676 e RE 4.641 (citadas pela Anvisa em 20/11/2025) e RE 690/2026; Gluconex, na RE 1.519/2026.
Posso trazer tirzepatida do Paraguai para uso próprio?
Não, se for de um produto com proibição específica da Anvisa: nesse caso a importação fica suspensa por qualquer modalidade.
Tirzepatida manipulada é permitida?
Só dentro das regras: insumo que cumpra o Despacho nº 97/2025, farmácia autorizada e preparação individual com receita. Produto manipulado vendido pronto, padronizado ou com nome fantasia é irregular, segundo a Anvisa.
A ampola de 60 mg é legal?
O nome "ampola 60 mg" não diz se o produto é registrado. A Anvisa proibiu, por exemplo, todos os lotes do Rapha 60 mg/6 mg/3 ml (RE 2.238/2026). Confira qualquer produto na consulta de registros da Anvisa.

Fontes